E.coli pode ser detectada através de uma garrafa de água equipada
Muito se tem falado sobre a transferência do conhecimento para novos avanços que possam melhorar a qualidade de vida das populações. Neste sentido, uma estudante indiana a fazer doutoramento na Universidade de Northumbria, Newcastle, Puja Tandron, responde ao desafio e apresenta agora o resultado da aplicação de anos de investigação num novo dispositivo que pode salvar milhões de vidas nos países subdesenvolvidos, onde a contaminação com origem na água continua a ser um grave problema de saúde pública.
À primeira vista custa a crer que nunca ninguém tenha pensado em desenvolver um sistema semelhante. Uma pequena garrafa que está equipada com químicos que em poucas horas fazem a análise da água, de forma a indicar se esta é segura para consumo. O sistema foi desenvolvido para identificar a presença ou ausência da bactéria E. coli, que vive e se desenvolve na água e pode originar diarreias com graves danos para a saúde humana.
A garrafa contém uma mistura de químicos, a semelhança daqueles que existem no intestino humano, que ajuda a bactéria a desenvolver-se. Para além destes, a cientista adicionou um outro químico de coloração, que quando a água está infectada altera a sua cor para preto. O mecanismo baptizado de Coliblack apresenta o resultado de um dia para o outro.
«Se a água estiver preta então existem métodos simples de matar a bactéria», refere Puja Tandron, citada em comunicado da Universidade de Northumbria e acrescenta que «as pessoas podem deixá-la numa garrafa limpa exposta à luz do sol durante 5 a 6 horas e o sol vai matar os organismos, ou podem guardar a água em vasos de cobre durante 48 horas o que vai desinfectar efectivamente a água. Ferver é outra alternativa, mas apenas onde existir suficiente madeira para queimar».
O novo sistema é uma novidade eficaz e ideal para os países subdesenvolvidos porque pode ser produzido a baixos custos. «O problema antigamente era que as pessoas não tinham forma de saber se a água era segura ou não e estavam a jogar ‘roleta russa’ com as suas vidas», refere a cientista. Agora, ao detectarem a presença da bactéria, o tratamento da água contaminada parece ser o mais fácil.
Para além da luz do sol, dos vasos de cobre e da água a ferver, a cientista refere que através de várias análises chegou à conclusão que a água pode ser tratada quando armazenada em latões durante 24 a 48 horas. Isto porque, pequenos traços de cobre são dissolvidos na água, uma quantidade tão pequena que é insuficiente a nível de toxidade para afectar os humanos, mas forte suficiente para matar a bactéria E. coli.
Apesar da jovem cientista de 27 anos obter o PhD pela universidade inglesa de Northumbira, muita da sua investigação foi desenvolvida no Departamento de Microbiologia, da Universidade de Panjab, na Índia. «Dá-me uma grande satisfação saber que este trabalho vai beneficiar os meus compatriotas e prevenir doenças», afirma a especialista e adianta que «espero continuar os meus estudos como investigadora pós-doutoral e depois finalizar o trabalho na Índia onde posso pôr o meu conhecimento e capacidades em prática».
Actualmente, a investigadora está a trabalhar na pesquisa de novos químicos que possam ser utilizados de forma a que a produção da garrafa seja realizada a menores custos, para poder ser aplicada nos países subdesenvolvidos. Entretanto, espera também conseguir financiamento adicional após o doutoramento para continuar a sua investigação.
fonte:tvciência


